domingo, 19 de dezembro de 2010

Olhei no espelho...

...ontem, existia alguém aqui.Alguém que hoje quis não sentir, quis não acreditar em mais nada, quis não pergutar,não querer, não ser, quis deixar a empatia para os divinos e hoje sub-existir.Alguém que hoje quis evitar tudo que é novo ou que ainda não conhece. Quis ser feita de bronze, como as estátuas de lênin, intocadas até mesmo pelo tempo.Quis ser uma terça à tarde, um sub-produto da velha avant-garde,capítulo bíblico menos decorado,quis ser um romance do sidney sheldon ! Quis não ser, quis ser nada.


Mas não deu. A alma desse alguém era muito




de minha autoria.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Todos tortos

Andamos meio tortos, meio mortos, nos arrastando. Andamos meio fracos, meio opacos pelos cantos. É assim que vivemos, é assim que morreremos se ninguém ousa mudar. É assim que queremos, é assim que sustentaremos nossa insustentável liberdade: Com nosso viver louco, viver imaculado, viver maravilhoso, um viver cruzado – que se não fosse tão maluco, não teria nem se encontrado


"We are not what you think we are
We are golden, we are golden."




de minha autoria.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

gosto muito de você, menino de touca .-.

Eu posso não te amar pra sempre
Mas enquanto houver estrelas sobre você
Não precisa duvidar disso
Vou fazer você ter certeza disso


God only knows what I'd be without you


Se você algum dia me abandonar
A vida vai continuar, acredite
O mundo não pode me mostrar nada
Então que bem me faria viver ?



God only knows what I'd be without you...God only knows...




God Only Knows - Beach Boys






quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Arremedo

Meu desejo tem gosto de araque
nome e perfume inebriante de conhaque
Meu desejo tem cor amarelada, desbotada
Como esse arremedo de vida
Que deseja ser eterno
Mas que é tão mortal quando proibido
Descansar em paz ? Não faz meu tipo
Prefiro envelhecer e apodrecer
eternamente...


* Que quinta feira gigantesca ! E que poema ruim... Pelo menos serviu de analgésico para minha orelha que tá latejando ! OUTCH


de minha autoria.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Carta para a Colombina

Colombina, nada, nada e nada. Nada mais importa. Não senhorita, nada mais existe. Só existe essa
ausência,
essência,
demência
Que é vazia de cor, vazia de vida... Que vai se esvaziando até ser nada. E nada definitivamente é ser alguma coisa. Bailarina, fugiu com o trovador. Levou vestidos, fotos, jóias... Deixou as saudades. O que eu faço com elas ?


Pierrot




de minha autoria.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Álcool (one shot)

Lúcido, sou menos gente
sou quase bom
quase quente
sente: quase nada
e a verdade é sóbria


de minha autoria.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Desabafo


Preconceito: 1. Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial 2. Opinião desfavorável que não é baseada em dados objetivos (intolerância) 3. Estado de abusão, de cegueira moral.
Do dicionário Priberam da Língua Portuguesa

"Les préjugés, ami, sont les rois du vulgaire"
Voltaire


Posso contar várias histórias. Histórias de fantasma, de viagens, de países árabes, histórias sobre comida japonesa... Mas se há uma coisa que toda minha história tem um pouquinho, é amor. É, a-m-o-r. Vai ver ainda estou naquela vibe setentista, que seja ! Mas acho que tudo o que a gente faz na vida devia ser inundado desse sentimento. Me chamem de cliché, me chamem do que quiserem, eu não me importo com vocês, meros mortais !  O problema dessas histórias de romance é que elas sempre começam tristes. Você espera que elas terminem felizes, só que existem vários tipos de final... Mas não quero falar de final. Quero falar sobre história, uma em especial, que aconteceu comigo dia 01/11 desse ano.

Reunimos um grupo de amigos, algumas garrafas de vodka e nos encontramos num certo condomínio fechado daqui da cidade. Até aí, tudo bem. Estávamos conversando na santa paz, eis que surge um troll, nos ameaçando. Dizendo que ali “não era lugar de fazer aquilo !” e que nós não “ousássemos pisar o pé” perto do apartamento dele. A reação de todos foi um grande “WTF ?”, mas o acéfalo virou as costas tão rápido que a gente não teve nem tempo de retrucar. Como assim “aquilo” ? Nós não estávamos aprontando uma orgia ! Acreditem se quiser, nós não estávamos nem incomodando ninguém ! O tal morador virou uma incógnita, mas a gente logo esqueceu. Subimos para o apartamento e continuamos a nossa reunião lá, para ter certeza que não irritaríamos nenhum vizinho chato. De repente, me aparece o porteiro, Seu Edson, dizendo que era “um absurdo”, que o morador do “bloco 2, viu três meninas se beijando” e que “eles não são obrigados a tolerar aquele tipo de comportamento”. Daí entendemos tudo. Entendemos tudo e levou tempo para acreditar que o mundo ainda esteja infestado de gente desse tipo. Quero dizer, existe alguma coisa mais burra do que preconceito ? Preconceito contra história de amor ? É por causa de “moradores” assim que essas histórias não tem finais felizes. Daí as pessoas se calam. Mas se querem um conselho que alguém que não entende nada sobre nada, lá vai: NÃO SE CALEM ! Isso seria provar para os moralistas que eles estão certos, mesmo que não estejam. Me deixa doente a idéia de que existem pessoas que limitam suas vidas, que limitam suas existências à rótulos Homo/hétero/bissexual. Para estes, eu só posso dizer que nós não somos rótulos. Nós somos o que somos e fim !

SE LIVREM DESSE ENTULHO (lê-se preconceito), ou nós teremos que nos livrar de vocês de alguma forma.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Peste Cinzenta

Era uma dessas noites de inverno, frias, que enchem a cidade de neblina. Vivita sentiu o gole de vinho descer escaldante, estava fraca e tinha sede. Sede de morte, assim como o copo tinha de ser bebido... Em um quarto escuro, iluminado pela luz de velas gastas, descansava a criatura mais humana que poderia existir. Enterrada viva num desses cômodos abafados... De paredes cinzentas como sua doença. A lua invadia o quarto e iluminava a lividez da sua pele enquanto a alma lhe escapava do corpo; Estava tão exausta que pensou que poderia dormir uma eternidade. E assim o fez. Não acordou no outro dia e nem no seguinte. Seu corpo virava poeira e era levado pelo vento enquanto sua alma nascia - renascia - num lugar onde poderia ser livre


de minha autoria.

Puta burlesca



Passos barulhentos no assoalho do salão. Eram pesados e largos como ela. Dançarina burlesque, com seu ar blasé de quem sabe das coisas: dançava e rodopiava sufocada pela nuvem de nicotina. Seu corpo iluminado pela luz dos holofotes; seus seios redondos como taças de vinho – Era gorda por dentro e por fora e não fugiu do meu olhar de quem sempre se deu aos excessos. O clube fervia nos finais de tarde mas dentre todos, a cortesã escolheu a mim. Ergueu a barra do seu vestido rendado e passou com dificuldade pela diminuta porta do bar. De longe sorriu... Então eu soube que minha noite não terminaria tão cedo.  




de minha autoria.

Táxi

Vi sua cor no pára-brisas: cor doce, cor quente. Senti seu cheiro no cinto de segurança: cheiro de nada, de nada palpável. Não peguei atalhos, dei voltas e voltas, parei em semáforos fechados. Fiquei neles por horas, por horas na minha sinestesia até ser interrompida por alguém no banco de trás:
                          -O amor, sabe que isso?
                          -Se for algo tangível, também quero tê-lo
E não o tenho ? Tenho coisa sinestésica - coisa complicada, difícil, entrelaçada... Que se fosse fácil, não seria tão perfeita, tão completa.




de minha autoria.

Frida

Adalfrida sabia que estava louca. Percebeu que um lugar feio assim, não merecia alguém como ela. Descartou esse mundo e pensou que poderia inventar um universo só seu. Não havia espaço para mais ninguém nesse universo inventado. Logo que perceberam o que estavam acontecendo, tomaram-lhe as coisas. Tudo o que restou foi um tinteiro, a cama, os arames no colchão da cama e as vozes. Vozes. Escrevia sobre elas nas paredes do quarto e por causa disso, foi transferida para uma ala onde não existiam paredes. Adalfrida usava o que tinha, e ela tinha arames e pele. A enfermeira ia toda semana curar os cortes. Adalfrida olhava para seus braços. E pulsos. E pernas enquanto imaginava onde mais poderia escrever. Tomaram-lhe os arames. Pacientes de sua ala não eram autorizados a ter objetos pontiagudos... Mas adalfrida tinha os dentes; e esses, ninguém poderia tomar. Não achava paredes brancas muito interessantes. Ela não entendia, - por que não pintam essas malditas paredes ? - De castanho talvez, como seus olhos. Elogiavam tanto a cor dos seus olhos lá fora ! A louca não gostava de se lembrar da vida lá fora... amava tanto os passeios, os casamentos, as fúteis senhoras... Lá fora, morava com os pais; lá dentro dividia espaço com ninfetas arruinadas e viciados imbecis. Loucos... mas adalfrida não via demência neles. Ela não via nada além de delírios projetados por sua própria mente. Adalfrida acreditava que não era preciso parar de respirar para morrer... sabia que às vezes a alma também morria. Sabia que estava morta,como sabia que estava louca, como sabia que sabia de muitas coisas que as vozes lhe contaram. Ela não tinha muita opção. Amarrou os lençóis no lustre do quarto e partiu... De forma devagar, dolorosa e prazerosamente prolongada.  




de minha autoria.