quarta-feira, 7 de março de 2012

Reflexo da alma

Em que espelho perdi mesmo minha face? 
vivo procurando reflexos de minha alma 
procuro por diferentes olhos e olhares 
um eu perdido por algum lugar.

Que o silêncio possa se estender por todo o percurso da madrugada. 
Passo os olhos no espelho procurando qualquer palavra que possa me explicar absolutamente 
o significado do não-amor... 
que me revele o amargo, o ausente e afogue essa urgência narcisista que alcança cada pensamento meu. 
Passo os olhos no espelho atrás de qualquer imagem que possa me revelar a sonata em ré maior presa aqui 
em qualquer lugar. 
Mas não encontro. 
Mas não são nada. 
Só reflexos.

Mais um verão que chega e vai embora.
Mais algumas voltas no relógio da vida
e tudo que eu vejo é o meu semblante 
sempre fantasiado de cinza.
Diga-me, o que devo fazer pra voltar a ver o que outrora era festa?
Hoje o silêncio é soberano.
Talvez nem ele, de certa forma, aqui se encontra.
Diga-me, o que devo sentir pra ocupar o lugar que jamais pensei deixar sozinho?

Diga-me o que devo fazer para ocupar esse espaço vazio.
Preenchido de um pedaço de céu claro e algumas poucas folhas de papel -cheias de nada também-
Diga-me o que devo sentir pra ocupar o lugar que jamais pensei deixar sozinho. 
Passo os olhos no espelho e é quando me olho nele, que o vazio se torna cheio,o silêncio se amarfanha dentro de cada entranha
e me suga o pouco do sentir que ainda me resta.
Já não me resta.

Autoria: Liipe e Daniela


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