Minhas lembranças tornam-se cada vez mais distantes e apagadas. Talvez não sinta mais tantos cheiros, talvez não lembre mais de todos os sorrisos... Mas ainda sim me lembro dos seus ternos bem cortados, dos seus sapatos de couro e camurça. Dos chocolates em cima da mesa, das xícaras de café quente no sofá branco da sala... Esqueço as más lembranças e dou espaço a tudo aquilo que me fez crescer. Lembro da última vez que o vi: Desgastado, magro, com todo o peso da vida nos olhos. Lembro do seu último dia e me lembro que da tristeza, você sorriu. Satisfez-se ao entender sua própria insatisfação. Cansou de lutar contra o incansável, quis fechar os olhos e entregar-se ao destino inevitável dos que ainda estão vivos. Você morreu. E com todos esses dias que passaram sob a sua ausência, sinto que também morro um pouco. Sinto que você é cada vez mais presente e que a saudade nunca foi tão cruel e asfixiante ... Sinto que a dor me faz bem. Ela me faz querer continuar para consolar a mim e aos que ficaram. Sim, falta algo. Falta você com seus ternos bem cortados, seus sapatos de couro e camurça. Falta meu pai empunhando sua xícara de café quente (que aliás, há muito já esfriou) no sofá branco da sala. Falta você me dizendo que “tudo passa, perpassa e ultrapassa”, desafiando esse troço na minha alma que é dor que não se cansa... Só algo não falta: o relógio. Este, que tanto te irritava continua lá... Continua contando as horas, e eu, contando os segundos desde que você se foi.
de minha autoria. Uma avenida de Pirapora receberá o nome do meu pai :'), recebi a notícia hoje. Não é um bom texto, não é criativo, não é legal... mas para mim é importante. Me fez lembrar de tudo... bastante
de minha autoria. Uma avenida de Pirapora receberá o nome do meu pai :'), recebi a notícia hoje. Não é um bom texto, não é criativo, não é legal... mas para mim é importante. Me fez lembrar de tudo... bastante
