Inicio o meu texto declarando: Tenho pavor de “bons costumes”. Para mim, isso é um nome pomposo, um eufemismo que exprime comportamento repressor e sexismo. Um nome que tende a encaixar o ser humano (principalmente a mulher) na coisificação e no estereótipo romântico. Partindo desse pressuposto, admito que sou contra bons costumes de qualquer tipo e em qualquer instância. Quantas vezes já fui repreendida, considerada frígida, condenada ao vulgarismo ¿ Prejulgada não só por homens, mas (pasmem) por semelhantes ! Mulheres agredindo umas as outras, sendo incoerentes ! Esse o maior perigo do bom costume: quando ele está tão infiltrado que nem se nota sua incoerência. Quando se mistura, quando é disseminado por suas próprias vítimas. Quando é internalizado e expresso, anos mais tarde, em vergonha e culpa. Não suporto conservadorismo ! Tenho pânico de conservadores e pânico redobrado se esses seres a quem me refiro são mulheres... Mulheres não ! Fêmeas que aos poucos vão se tornando objetos, receptáculos... Que demonstram gratidão às suffragettes com sua ausência e machismo. Parece-me que boas moças são aquelas que se calam, que consentem, que são símbolos de virtude e amor materno. Parece-me que ”moças para casar” são aquelas que desempenham o papel de mero adereço, as amélias, as musas romantescas. Quantas mulheres, infectadas com esse tal “Bom costume” se espelham na Nísia Floresta ou na Simone de Beauvoir ¿ A resposta dessa retórica é: nenhuma. E para essas só resta a pejorativa classificação “femea”, sem o devido acento circunflexo e f minúsculo. Chega de Marílias, de Iracemas...
de minha autoria
